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CONFERÊNCIA
NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
47ª Assembléia Geral
Itaici – Indaiatuba - SP, 22 de abril a 1º de
maio de 2009 |
47ªAG (Doc) |
DECLARAÇÃO DA
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
CONTRA A
REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL
“Todas as vezes que fizestes isso a um desses mais pequenos (...) foi a mim
que o fizestes” (Mt 25,40)
O Brasil enfrenta uma onda
generalizada de violências sob os mais variados aspectos e pontos de vista. São
violências que vão desde a negação ou privação dos direitos básicos à vida até
àquelas que geram insegurança, apreensão, medo.
Campanhas equivocadas
criminalizam crianças, adolescentes e jovens como principais responsáveis dessas
ações violentas, quando na verdade, frequentemente, os maiores culpados ficam
totalmente impunes.
Os atos violentos, os
crimes, o narcotráfico, envolvendo-os, a cada dia, em sua perversa trama,
tiram-lhes as possibilidades de plena realização e os afastam de sua
cidadania.
Neste contexto, o Senado
volta a discutir a redução da maioridade penal com argumentos que poderiam ser
usados também para idades menores ainda, como se esta fosse a solução para a
diminuição da violência e da impunidade. A realidade revela que crianças,
adolescentes e jovens são vítimas da violência. Muitas vezes são conduzidos aos
caminhos da criminalidade por adultos inescrupulosos.
A CNBB entende que a
proposta de redução da maioridade penal não soluciona o problema.
Importa ir a suas
verdadeiras causas, que se encontram, sobretudo, na desagregação familiar, na
falta de oportunidades, nas desigualdades sociais, na insuficiência de políticas
públicas sociais, na perda dos valores éticos e religiosos, na banalização da
vida e no recrutamento feito pelo narcotráfico.
Reafirma a CNBB que a
redução da maioridade penal violenta e penaliza ainda mais adolescentes,
sobretudo os mais pobres, negros, moradores de periferias.
Persistir nesse caminho
seria ignorar o contexto da cláusula pétrea constitucional - Constituição
Federal, art. 228 - além de confrontar a Convenção dos Direitos da Criança e do
Adolescente, as regras Mínimas de Beijing, as Diretrizes para Prevenção da
Delinquência Juvenil, as Regras Mínimas para Proteção dos Menores Privados de
Liberdade (Regras de Riad), o Pacto de San José da Costa Rica e o Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA), instrumentos que demandam proteção especial para
menores de 18 anos.
Crianças, adolescentes e
jovens precisam ser reconhecidos como sujeitos na sociedade e, portanto,
merecedores de cuidado, respeito, acolhida e principalmente oportunidades.
A Igreja no Brasil
conclama os poderes públicos – Executivo, Legislativo e Judiciário – bem como a
sociedade civil a debater o assunto. Urge a busca de soluções focadas nas
políticas públicas que efetivem melhores condições de vida para todos, na
implementação de medidas sócio-educativas previstas no ECA e no desenvolvimento
de uma política nacional de combate ao narcotráfico, penalizando com maior rigor
a manipulação e o aliciamento de crianças, adolescentes e jovens pelo crime
organizado.
A Igreja Católica, através
de suas comunidades eclesiais, pastorais, movimentos e entidades sociais,
desenvolve projetos sócio-educativos, profissionalizantes, de recuperação de
dependentes químicos e de atendimento a adolescentes autores de ato infracional,
obtendo resultados que indicam à sociedade caminhos a partir de ações educativas
e não punitivas.
A CNBB se une a todos os
brasileiros que trabalham para que se cumpra a premissa básica da Constituição
Federal, art. 227: “CRIANÇA E ADOLESCENTE PRIORIDADE ABSOLUTA” e reafirma sua
posição contrária à redução da maioridade penal.
Indaiatuba, São Paulo, 24 de abril de 2009